Cadê Neymar?
O Brasil acordou cedo e os amantes do futebol também neste domingo. Todos queriam ver o clássico Santos X Barcelona, na decisão do Mundial de Clube no Japão. Poderia ser assim, se não fosse uma legião de estrangeiros que atua pela equipe catalã que transforma o campo de futebol em sinuca com tacadas certeiras em curtíssimos espaços. Impressiona a característica no um/dois. A preferência no extra fica apenas para o argentino Lionel Messi.
O Barcelona tem um esquema de jogo mais aperfeiçoado do que o carrossel da Holanda que assombrou o mundo. Mais refinado que, jogadores no campo de golfe e, com precisão suíça quando flutua na área do adversário. O Santos bem que tentou. Mas, como parar o esquema do clube contrário que se multiplicava e mantinha a média de 70 por cento de posse da bola? Acuado, o clube brasileiro tomou um, dois e três no primeiro tempo. Fácil e com sobras.
O Santos parecia um lutador de boxe que tentava a proteção nas cordas e usando manobras para impedir um massacre do adversário, enquanto esperava o soar do gongo. A atitude do time brasileiro no segundo tempo aparentava ser de frustrar o desfile do Barcelona. Ficou apenas na aparência. O modelo de jogar do clube espanhol é uma lição para o futebol moderno. Em ritmo de treino o Barça fecha o placar em quatro sem sofrer um gol, e é Campeão Mundial. Ganha jogo quem tem domínio da bola e os gols dependem de tal poder. É uma orquestra afinadíssima com repertório variado o clube azul grenà da Catalunha.
Enquanto o argentino Messi em espaços curtos derruba esquemas com enfiadas, dribles e chutes certeiros, os assistentes Xabi Alonso, Iniesta, Tiago Alcântara, Fábregas e Daniel Alves trabalham na produção. A bola roda numa dança flamenca, e o adversário só deperta ao som das castanholas de mais um gol sofrido. Padrão de qualidade e coletividade.
O Santos ficou bem como coadjuvante, contudo é preciso muito mais do que cultuar determinados craques sem que estes, possam corresponder a expectativa. Colocaram muita pilha e responsabilidade sob às costas de Neymar. Apostaram tudo no jovem santista, e Neymar é ainda um talento em estado bruto que precisa de lapidação e menos mimo. Cadê Neymar? Todos perguntavam após o jogo.
A TV durante a transmissão mostrou em ângulos a alegria de um Messi com rosto sem marcas e, em contraponto Neymar de semblante crispado. A mídia esportiva do Brasil cultua determinados fatos como produto a ser vendio. A exposição nem sempre é uma boa estratégia. O Barcelona é a força que é, por uma conjunção de fatores. Preservar a instituição é a medida correta. Hoje o Santos vive da Era Pelé. O Barça é Barça, sem Eras Ronaldo, Di Stefanno, Maradona, Ronaldinho Gaúcho, Romário, Cruiff, Messi todos estrelas no universo catalão.
A lição do Barcelona é atual e, até que outras sejam apresentadas, a do clube espanhol que tem uma camisa que apenas agora ostenta patrocinio será referência aos clubes deste planeta. O título alcançado em Yakahoma, Japão, neste domingo, 18, desfilando contra o Santos (SP) por quatro a zero é história.O próximo desafio do vencedor do torneio no Japão é alcançar o arquiinimigo Real Madri (Espanha) que na ausência ganhou e disparou na lderança do Campeonato Espanhol..
Ao Santos fica a lição de que sem estratégia e planejamento, o futebol brasilero será mero coadjuvante frente aos outros clubes estrangeiro. O Santos que é bicampeão mundial, talvez tenha desaprendido que ninguém faz sucesso sozinho e o coletivo é a engrenagem perfeito para alcançar vitórias. O jovem Neymar após o jogo foi conciso na coletiva ao abordar o assunto. Aliás, o atacante Neymar sequer 'andou' contra o sistema avalanche do Barcelona. E a pergunta que fica: cadê Neymar?
Fortaleza, 18 de maio de 2012
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