Monitor da Violência: um ano depois, 74% dos casos de mortes violentas seguem em andamento no Ceará

Dos 125 casos de homicídios no Ceará, 74,40% estão com investigações em aberto um ano depois. Deste total, nenhum chegou ao julgamento dos réus e 14 deles foram objeto de denúncia pelo Ministério Público.

Em parte das investigações consideradas concluídas, foi a morte do assassino que gerou o arquivamento do caso. Isso ocorreu em relação ao assassinato de Antônio Amorim Ferreira, em Massapê, em 25 de agosto de 2017. O caso foi elucidado, porém, antes de haver a denúncia à Justiça pelo Ministério Público o homem identificado como autor do crime foi morto.

Em Morada Nova, o motivo do pedido de arquivamento do caso do duplo homicídio de Francisco Oliveira e José Pinheiro foi a falta de provas contra os possíveis autores.

O projeto, que monitorou mortes violentas entre os dias 21 e 27 de agosto de 2017 contabilizou, em todo o país, 1.195 crimes enquadrados como homicídio, latrocínio ou suicídio. No Ceará, 125 casos são acompanhados.

O levantamento, inédito e exclusivo, marcou o início de uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP e com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública: o Monitor da Violência. Mais de 230 jornalistas do G1 espalhados pelo país tiveram a missão de investigar o andamento de todos esses casos.

No Brasil, mais da metade dos inquéritos policiais acompanhados continua em andamento. Apenas 2% do total de casos têm hoje algum condenado pelo crime. E o mais grave: menos da metade dos crimes tem um autor identificado.

Secretaria

Em entrevista sobre as estatísticas de homicídios no Ceará em 2018, o secretário de Segurança do estado, André Costa, comentou a percentagem de casos com investigação concluída. “Nos últimos anos, esse ano inclusive, a gente tem em torno de 25% a resolutividade das delegacias nos casos de homicídios, varia de 23% a 26%, a média é 25%. Segundo estudos, a resolutividade desses casos no país seria em torno de 8%, então, mais uma vez, não é um índice que a gente comemora, mas está acima da média nacional. Quanto maior o número de casos, ou seja, mais homicídios e mortes violentas, é maior o número de inquéritos e maior o desafio para resolver esses casos. Então, apesar da quantidade de casos, é algo que, comparado ao nível do país, estamos acima da média, mas temos muito ainda a avançar”

Com informação do G1