PSB rejeita Alckmin e, no CE, fica com Camilo. Sigla chegou a ser cotada por oposicionistas

O Congresso Nacional do PSB, encerrado, nessa sexta-feira, 2, em Brasília, que decidiu pelo reencontro da sigla com as suas origens, com a  esquerda, garantiu a permanência do partido no Ceará, sob o comando do deputado federal Odorico Monteiro, como aliado do Governador Camilo Santana. O PSB estava sendo cobiçado, nas últimas três semanas, pelo vice-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, e pelo deputado estadual Capitão Wagner, pré-candidato ao Governo do Estado.

Roberto chegou a ser filiar  ao PSB em 2015, mas voltou ao PR após conflito com o deputado federal Danilo Forte. Danilo perdeu o partido para Odorico Monteiro e, hoje, é filiado ao DEM. Já Roberto Pessoa busca, ao lado do Capitão Wagner, outra agremiação. Ambos perderam a queda de braço interna com a deputada federal Gorete Pereira que passou a comandar o PR e levou a sigla para os braços do Governador Camilo Santana. Uma das opções era o PSB que, a partir deste sábado, tem um novo rumo nacional e pode se aproximar do pré-candidato do PDT, Ciro Gomes.

A decisão do Congresso Nacional do PSB, adotada durante os dois dias de avaliação e definição de novos caminhos, frustrou o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin.  Os socialistas aprovaram uma resolução nacional que impede o apoio do partido a candidatos que não sejam do segmento ideológico de esquerda e rejeitaram uma aliança com o   PSDB. Alckmin tinha, dentro do PSB, como seu principal aliado o atual vice-governador Márcio França, que irá substituí-lo no comando de São Paulo a partir do dia 2 de abril. Alckmin se desincompatibiliza do cargo para concorrer ao Palácio do Planalto.

O principal defensor da tese de aliança com o PSDB era de Márcio França, que via no acordo uma possibilidade de ter o tucanato ao seu lado para disputar a reeleição ao Governo de São Paulo. Como o apoio recíproco se tornou praticamente impossível – pela decisão tucana de ter um candidato próprio, provavelmente o prefeito João Doria –, o próprio França mostrou estar desistindo da ideia. “Não sou eu quem não vai dar palanque para Alckmin, ele que estará no [palanque] do Doria”, afirmou.

A restrição ao tucano se deve à pressão da base popular do partido, que quer a legenda definitivamente de volta para o campo de esquerda. Dos 1.200 delegados no congresso da sigla, 690 são ligados aos segmentos sociais. “Chance de apoiar Alckmin é praticamente zero”, resumiu o deputado Bebeto Galvão (PSB-BA).  Nos bastidores, a candidatura do vice em São Paulo é uma das prioridades do partido, ao lado de outras nove candidaturas estaduais e da eleição de deputados federais. Para isso, é possível ainda que o PSB apenas não se coligue com nenhum candidato e libere os estados para fazer seus arranjos de preferência.

Com o resultado do Congresso Nacional, o PSB tem algumas alternativas na corrida presidencial: caso prevaleça a tese da candidatura própria, são dois pré-candidatos colocados: Aldo Rebelo, ex-ministro do Esporte e da Defesa, que trocou o PCdoB pelo partido em 2017; e o ex-deputado Beto Albuquerque (RS), candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva em 2014. Nenhum dos dois, no entanto, empolga a militância.

Há um segmento no partido que defende o nome de Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) que exige uma unanimidade em torno do seu nome, o que é considerado quase impossível dada a fragmentação que a legenda passou a apresentar após a morte do seu principal líder, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, em 2014. Em caso de aliança, o favorito é o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT).

 

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