PT começa a programar campanha de Lula para eleição presidencial

O grupo de coordenação do programa eleitoral para a disputa da eleição presidencial pretende começar a formatar nesta semana o programa da campanha de Lula ao Palácio do Planalto, independentemente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estar inelegível ou preso antes do dia 7 de outubro, quando acontece o primeiro turno do pleito. O partido disse que pretende finalizar o programa até meados de junho.

A equipe de coordenação de programa está terminando de juntar demandas surgidas de cada um dos 26 Estados e do Distrito Federal, a partir de seus diretórios, e de sugestões enviadas pela plataforma “Brasil Que o Povo Quer”, da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT. “A coordenação do programa de Governo está consolidando todos os insumos pré-existentes [dados enviados pelo diretório e a plataforma]. Nós vamos receber todo esse material até 15 de março”, disse o ex-deputado Renato Simões, coordenador-executivo da equipe.

Com uma tenda no Fórum Social Mundial, em Salvador, a partir dessa quarta-feira, 14, a coordenação da campanha pretende começar a desenvolver o documento. “Após a fase de escuta, começa a fase de resposta”, comenta Simões. Chefe da equipe, o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad tem articulado para que se intensifique o trabalho de formatação por acreditar que o período de três meses é muito curto para se consolidar um programa.

Junto com o presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann, Simões e Haddad formam o trio que conduzem a construção do programa. Pochmann ressalta que o programa quer focar nas peculiaridades apontadas por cada região do País, com a “produção de diagnósticos”. “A ideia é que a gente possa ter uma ideia melhor de como se encontram os Estados da Federação”.

Pochmann indica que, até o momento, as principais demandas relacionam-se com a questão trabalhista. Lula, inclusive, tem defendido um referendo revogatório sobre as mudanças feitas no governo do presidente Michel Temer. “Várias decisões do governo pós-Dilma [Rousseff] têm que ser repensadas porque tornam o País difícil de ser governado. Se é referendo, se é apresentação de um novo projeto… é questão de tática política”, diz Pochmann.

Até o momento, Simões adianta que um dos assuntos que estavam fugindo do foco do partido e que foi mencionado pela plataforma é recursos naturais. “Nós estamos suscitando um debate que o PT negligenciou por um certo período, com a saída da Marina Silva, do [Carlos] Minc, de muitos ambientalistas que forjaram o pensamento do PT. E você tem agora uma renovação de quadros e de busca de discursos”.

Tradição

O partido, porém, já tem como meta debater os temas tradicionais. Durante o Fórum, o debate será focado em saúde. Na caravana que Lula fará pelo Sul do País, a partir da próxima segunda-feira, 19, a discussão será sobre educação.

Ainda sem data definida, uma caravana por Brasília abordará Segurança Pública, tema que tem sido o destaque atual do governo do presidente Michel Temer (MDB) e de um dos principais adversários na disputa, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). “A ênfase na questão da Segurança vem para responder problemas sociais que se agudizam”, comentou Pochmann.

Simões ressalta a agenda de Lula no período pré-eleitoral. Além das caravanas, o PT vai criar lançamentos regionais da candidatura do ex-presidente, como o que foi feito em Belo Horizonte no mês passado. “Estamos criando atos encadeados. Ele está com uma agenda nacional muito grande”, disse, pontuando que as datas ainda não estão definidas.

Um indício do que deverá ser o programa deverá vir na nova “Carta aos Brasileiros”, que é elaborada por Lula e teve divulgação prometida para fevereiro, o que acabou não acontecendo até o momento. “A carta vem sendo conversada, dialogada de forma bem ampla. Há um certo anseio para que seja explicitada essa carta, mas o presidente está sendo muito cuidadoso para construir um instrumento que seja bem representativo”, comenta Pochmann.

E se Lula ficar fora?

O calendário para finalização do programa é feito mirando na convenção do partido, prevista para julho, ainda sem data marcada, e o dia 15 de agosto, limite para que as candidaturas sejam registradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O partido tem indicado que irá registrar Lula em quaisquer circunstâncias e lutar, por meio de recursos judiciais, para que ele possa participar da disputa.

Condenado em 2ª instância, Lula está inelegível e pode ir para a prisão a partir do momento em que o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) permitir o início da execução da pena de 12 anos e um mês de prisão.

Sobre o que pode vir a ocorrer com um possível impedimento de Lula, Pochmann comenta que “há um questionamento quanto ao próprio papel do PT”. “Se de fato o presidente não puder competir, que posição o PT faz? Aceitará essa ordem em ano eleitoral, não aceitará essa ordem? Terá um candidato substituto ao Lula ou seguirá com ele até o final?”.

Com informações do Uol Notícias

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