A saúde financeira também precisa de vacina?

Muito se falou do surto de febre amarela que afetou os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Foram feitas campanhas de orientação e vacinação da população, assim como de combate aos mosquitos. O objetivo foi evitar que o surto se transformasse em epidemia.

Porém, o país sofre de uma doença endêmica que aflige mais de 62 milhões de brasileiros. Por ser uma doença, ela afeta a saúde das pessoas assim como impacta em áreas como o trabalho e os relacionamentos pessoais. Estamos falando do endividamento e da inadimplência.

Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que em abril/2019 a percentagem de famílias com dívidas aumentou. A maioria desses cidadãos sofre com estresse, ansiedade, baixa autoestima, problemas de desempenho no trabalho e problemas familiares.

Até o momento não foi descoberta a “vacina do endividamento”. A causa: a imunização não vem de uma vacina, pois os anticorpos para prevenir esta infecção não se originam em “microrganismos patogênicos, mortos ou atenuados”, mas em hábitos de consumo sustentável.

A verdadeira imunização contra a inadimplência

Avaliar a necessidade da compra; ter certeza de que as compras cabem dentro do orçamento; não se endividar para fazer as compras; conhecer, até o último centavo ganho, para onde está indo seu dinheiro; e priorizar as despesas são a chave.

Estas atitudes, incorporadas e praticadas no dia a dia, sem dúvida, elevarão a imunidade contra o endividamento e serão fundamentais para curar-se do mal da inadimplência.

A prescrição que protegerá sua saúde financeira

Eis minhas principais recomendações para uma vida financeira saudável:

– Educar-se financeiramente. A educação financeira vai muito mais longe do que cálculos e planilhas. Aprender e colocar na prática “hábitos financeiros profiláticos” (aqueles que preveem o endividamento e a inadimplência) é o segredo. A partir dos 3 anos de idade já se pode começar a apreender esses hábitos e não existe nenhum outro limite de idade.

– Procurar que seus filhos tenham educação financeira na sua escola. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que norteia o que se ensina nas escolas do Brasil inteiro, indica que a educação financeira passe a ser obrigatória e deverá ser abordada principalmente em Matemática e Ciências da Natureza, para crianças do ensino fundamental.

– Gastar menos do que ganha. Para muitos isto é bastante evidente, pois quem gasta menos do que ganha não se endivida. Porém, o imediatismo, a falta de planejamento e de controle, o crédito fácil (além do uso errado do cartão de crédito) e as compras por impulso, são os principais inimigos.

– Saber quais são os ganhos líquidos e em que são gastos esses ganhos. Sete em cada dez famílias não conhecem seus ganhos nem o total de seus gastos. Este “controle financeiro” é de fundamental importância, pois será a base para ajustar o orçamento e iniciar o caminho para eliminar as dívidas, ou para blindar o orçamento mensal e não gastar mais do que se ganha.

– Ter objetivos de curto, médio e longo prazo. Sim, os três juntos! Objetivos importantes (aqueles que arrepiam) são o melhor estímulo para sair da zona de conforto e agir de forma diferente para realizá-los.

– Fazer o orçamento mensal priorizando seus objetivos. Organize suas contas após separar a parcela que guardará para realizar seus objetivos. Isso funciona!

– No momento de comprar, fazer-se a seguinte pergunta: quero ou preciso? Respostas sinceras a esta pergunta lhe ajudarão a dizer não a muitas compras desnecessárias. Sabia que somente precisamos de sete coisas para sobreviver? Comer, beber, dormir, respirar, se proteger (roupa e moradia), e as outras duas ficam com você (número 1 e número 2. Sim, essas mesmas). São bem básicas!

– Prefira comprar à vista e com desconto. Parcelar o pagamento de uma compra cria a falsa sensação de que se gastou menos, pois o valor da parcela é menor do que o valor total da compra. Parcelar é se endividar e se endividar sem controle leva à inadimplência.

– Criar uma reserva para emergências. É muito importante criar e manter uma reserva para situações emergenciais. Esta reserva protege/blinda seus objetivos e, principalmente, evita o endividamento. Qual deveria ser o tamanho da reserva? Um ano de despesas básicas seria o ideal.

Os principais componentes da “vacina contra a inadimplência” foram apresentados. Agora chegou o momento de entrar em ação e fazer a imunidade aumentar! Colocar em ação a “engrenagem do BEM” vai ajudar! Lembre-se de que o equilíbrio financeiro pessoal não depende de quanto se ganha, mas de como se gasta o que se ganha.

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Texto por: Silvio Bianchi, pós-graduado em Educação e Coaching Financeiro, Master Coach, Coach Financeiro, Treinador e Palestrante. Cofundador do Bem Financeiro – Desenvolvimento em Finanças.

Sobre o BEM Financeiro:

Com uma equipe de profissionais experientes, dedicados aos temas de gestão de empresas e finanças pessoais, o BEM Financeiro atua na transformação da consciência financeira do cliente. Através de serviços como avaliação da saúde financeira, palestras, treinamentos, coaching, entre outros, trabalha tanto com empresas quanto com pessoas físicas.

Mais informações em: https://www.bemfinanceiro.com.br/

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