CGU aponta falhas grosseiras em construção de adutora de montagem rápida construída em 2014 de General Sampaio a Canindé

Os maiores problemas foram constatados nas adutoras de General Sampaio a Canindé, Crateús e Quiterianópolis.

Foto: reprodução.

Relatório recém-publicado pela Controladoria Geral da União (CGU) aponta prejuízos de até R$ 113,7 milhões na construção de três adutoras de montagem rápida construídas no Ceará entre 2014 e 2015. Os maiores problemas foram constatados nas adutoras de General Sampaio a Canindé, Crateús e Quiterianópolis.

Em inspeção realizada no final do ano passado, equipe técnica do órgão apontou “falhas grosseiras e graves” na construção de todos os nove equipamentos vistoriados no Interior do Estado.

Construídas em caráter de emergência e com dispensa de licitação, as adutoras buscavam levar acesso rápido de água a municípios em risco de colapso no abastecimento.

Segundo a CGU, o prejuízo ocorreu com erro na montagem dos tubos, que foram posicionados diretamente sobre o solo, sem suportes de concreto adequados. “Isso levou a uma redução significativa da vida útil do equipamento, estimada em dez anos”. Além disso, a tubulação não possuía proteção interna contra corrosão, apesar de isto estar previsto no termo de referência do edital de licitação.

Segundo o órgão, o prejuízo ficou maior pois a obra foi realizada com aço especial “Corten”, feito com elementos com propriedades anticorrosivas. Muito mais caro que o aço comum, o material diferenciado foi usado sob a justificativa de que seria mais duradouro e poderia ser reutilizado no futuro. Três anos depois das obras, boa parte do material já estaria inutilizável.

O órgão destaca que a montagem contrariou “preceitos básicos” do manuseio de equipamentos do tipo.

“O assentamento de tubo em aço Corten diretamente sobre o solo é expressamente vedado pelos fabricantes, tendo em vista que ocasionará expressiva redução da vida útil”, diz. “A instalação deve ser aérea, sobre suporte estável, com altura mínima do solo de 150mm²”.

Adutora General Sampaio a Canindé

A construção da adutora de General Sampaio a Canindé iniciou em julho de 2014 quando começaram a chegar os tubos que seriam utilizados na construção da adutora de engate rápido. O aqueduto de 53 Km de extensão beneficiaria a sede de Canindé e várias comunidades rurais do município de Caridade.

A empresa responsável pela obra chegou a informar que a obra seria concluída em até 90 dias, ao valor de R$ 22.107.479. “Os custos dos tubos de 400 milímetros foram da ordem de R$ 17,8 milhões. Já a execução da obra teve investimento de R$ 4,2 milhões”.

Antes mesmo de completar seis meses de instalada a adutora começou a apresentar problemas de vazamentos. Os furos na tubulação causavam vazamentos de grandes proporções e o desperdício que atingiam uma extensão de aproximados 10 kms, na localidade de São Domingos em Caridade.

Segundo relatos de moradores na época, o problema ocorreram desde 2015, seis meses após sua inauguração, quando não suportou a pressão da água, abrindo fendas em vários trechos, a exemplo de Caxinoar e Campo Novo. Revoltada, a população ameaçava fazer um movimento para bloquear a adutora.

Várias reuniões foram realizadas buscando uma solução para o problema, coisa que não aconteceu. Em 2017 a adutora acabou sendo desativada e os canos e outros equipamentos levados para outros municípios.

A investigação da Controladoria Geral da União que apontou falhas na instalação das adutoras foi feita a partir de provocação do Ministério Público Federal no Ceará.

 

 

 

 

(*) com informações do correspondente Wellington Lima

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