Modalidade de suporte respiratório reduz riscos e sequelas em bebês prematuros

A utilização de técnicas não invasivas para suporte respiratório em bebês prematuros internados na UTI Neonatal do Hospital Regional Norte (HRN), da rede pública do Governo do Ceará, vem sendo responsável pela diminuição de riscos relacionados à ventilação mecânica invasiva. Com a técnica, a unidade hospitalar reduziu tempo e custos na internação de recém-nascidos.

A Continuous Positive Airway Pressure (CPAP), pressão positiva contínua nas vias aéreas, é uma técnica que possibilita uma recuperação mais rápida, garantindo que mais crianças sejam beneficiadas pelo atendimento do serviço da Neonatologia do HRN.

O resgate da técnica como rotina começou no início do ano, a equipe de Neonatologia passou a estudar o uso do CPAP bolha nos bebês, modalidade que mantém a pressão positiva na via aérea do bebê sem a necessidade de tubos ou outros equipamentos, utilizando apenas um dispositivo ajustado ao nariz do paciente. O resultado é que cada vez menos crianças precisam ser intubadas.

Técnica CPAP

A técnica do CPAP nasal para prematuros está sendo difundida pelo brasileiro Guilherme Santana, que atua na McGuill University no Canadá e tem sido utilizada em diversas UTI’s neonatais em várias partes do mundo com sucesso.

Uma das crianças beneficiadas foi a pequena Yohanna Aparecida. A mãe Terezinha Silva Pereira, 37, teve uma gravidez de risco e um parto com 27 semanas de gestação. Yohanna nasceu com 744 g e 32 cm no HRN. A criança precisou ser internada na UTI Neonatal e foi pioneira na utilização do CPAP precoce. A recém-nascida não precisou de ventilação mecânica para o tratamento de seu problema respiratório.

Segundo a coordenadora da Neonatologia do HRN, Renata Freitas, o CPAP é uma técnica simples indicada para pacientes prematuros. Entre as vantagens estão possibilitar o desenvolvimento adequado dos pulmões do bebê, já que utiliza uma pressão contínua durante todo o ciclo respiratório. Como a criança precisa utilizar as próprias vias aéreas para respirar, o CPAP permite ao bebê uma respiração mais homogênea.

A médica explica ainda que o tempo de recuperação do bebê é mais rápida. Estudos mostram que o emprego da CPAP diminui o risco de displasia broncopulmonar (DBP), uma doença que causa dependência de oxigênio, além de evitar as pneumonias associada a ventilação. Outras vantagens seriam a diminuição da incidência de problemas de saúde associados a prematuridade como a retinopatia que pode causar cegueira e as hemorragias intracranianas.

“O CPAP é uma técnica simples, barata e que propicia o desenvolvimento pulmonar adequado com redução das consequências do uso do oxigênio nos bebês prematuros”, avalia Renata Freitas.

Dando sequência ao projeto, a implantação do CPAP acontece na sala de parto do HRN em recém-nascidos com idade gestacional abaixo de 28 semanas.

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