Sem pressa e açodamento, Ciro desacelera e está de olho em 2022. No CE e no Brasil

O calor da mobilização o surpreendeu, o número de aliados para recepcioná-lo ficou acima do esperado, mas, no desembarque em Fortaleza, após duas semanas na Europa, o ex-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, optou pelo silêncio e deixou o presidenciável Fernando Haddad com um café meio amargo na manhã deste sábado. Ciro, porém, é eleitor do petista no segundo turno. Sem o estardalhaço que alguns integrantes da cúpula do PT alimentavam.

O silêncio de Ciro Gomes era esperado entre as lideranças nacionais do PT que sabem das razões   para o pedetista manter uma postura de cautela e agir sem emoção. Afinal, a corrida por 2022 começa em 2019. Ou seja, não há pressa, nem necessidade de açodamento. Ciro é o nome que uma banda da oposição pode carregar pelos próximos quatro anos. É o nome nacional que o PDT tem para se fortalecer e ganhar musculatura nos estados a partir das eleições de prefeito em 2020.

Um novo ciclo começa e, seja qual for o resultado da eleição nesse domingo, Ciro estará no cenário da sucessão presidencial de 2022. São quatro anos pela frente – tempo demais para quem está longe do poder, mas dependendo dos erros e acertos do novo Governo, o quadriênio pode voar.

CEARÁ

Ciro estará de olho no cenário nacional, mas no quadro local fará, logo após o resultado oficial do segundo turno à Presidência da República, articulações para avaliar como será a presença do PDT no segundo governo de Camilo Santana. Reeleito no primeiro turno e com o apoio decisivo dos irmãos Cid e Ciro Gomes, Camilo terá – mais do que nunca, a necessidade de manter o jogo de cintura, com a peculiar habilidade que o acompanha, para conduzir os próximos quatro anos sem turbulência. Não será fácil. O ambiente de harmonia já não é mais o mesmo.

Camilo quer, porém, manter a aliança, mas, ao tentar atrair o MDB para o Governo do Estado, abrirá conflitos com o PDT. Ao longo do primeiro turno da corrida ao Senado Federal, Camilo enfrentou dificuldades para ampliar a base de apoio à reeleição de Eunício Oliveira.

Opositor do presidente do Senado, Ciro Gomes não perdoou Eunício e correligionários da Capital e do Interior – como o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e muitos prefeitos e ex-prefeitos de cidades do Interior, trabalharam para impor uma derrota ao emedebista. Eunício perdeu a segunda vaga para o empresário Eduardo Girão (PROS) por menos de 12.000 votos. Conciliar o PDT com o MDB no Governo é um dos desafios de Camilo Santana na condução da aliança com Cid e Ciro Gomes.

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